Inteligência artificial e a transformação do mercado farmacêutico no Brasil

De acordo com a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o setor farmacêutico deve investir aproximadamente R$ 1 bilhão em tecnologias de Inteligência Artificial (IA) nos próximos 10 anos. Dessa forma, o mercado brasileiro de drogarias e farmácias é capaz de iniciar um novo ciclo de modernização no setor, posicionando a IA como o centro das operações para a próxima década, refletindo a necessidade de otimização em um setor que apresenta uma expansão acelerada.  

Evolução dos hubs para saúde

O mercado farmacêutico do Brasil se destaca pelo volume de atendimentos, o que tem estimulado uma mudança no papel das farmácias que deixam de ser apenas um local de ponto de venda de medicamentos e passam a atuar também como hubs de saúde, oferecendo orientações farmacêuticas e serviços como check-ups rápidos. 

Com isso, a adoção da inteligência artificial visa buscar uma alternativa para tornar a jornada do consumidor mais simples e eficiente, reduzindo ‘obstáculos’ e organizando melhor os processos internos. Além disso, a tecnologia contribui para uma melhor gestão de produtos, fortalecendo seu canal de venda comparado a outros concorrentes. Inclusive, a digitalização possibilita o acompanhamento do histórico do paciente e a integração de informações, favorecendo um diferencial no atendimento do consumidor.  

Desafios na integração ao sistema de saúde

A consolidação das farmácias como hubs de saúde exige avanços em protocolos e marcos regulatórios. O setor defende uma integração mais efetiva com as redes pública e privada de saúde, partindo do entendimento de que a ampla presença territorial das farmácias ainda é pouco explorada pelo sistema brasileiro. Nesse contexto, a tecnologia da informação se apresenta como elemento essencial para conectar essas unidades aos fluxos de atendimento e ao acompanhamento do paciente.

No entanto, o ritmo acelerado da transformação digital tem ampliado as desigualdades dentro do mercado. Grandes redes conseguem investir e escalar soluções tecnológicas com mais rapidez, enquanto empresas de menor porte enfrentam dificuldades para arcar com os custos de infraestrutura e capacitação, o que impacta diretamente sua competitividade.

Outro tópico envolve a expansão das vendas online e a atuação dos marketplaces. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias (Abrafarma) chama atenção para os riscos à saúde pública associados à comercialização de produtos sem registro sanitário em ambientes digitais. De acordo com o setor, a venda de medicamentos deve ocorrer exclusivamente em estabelecimentos farmacêuticos devidamente autorizados, em conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A ausência de fiscalização efetiva sobre vendedores informais em grandes plataformas de e-commerce é apontada como um problema de concorrência irregular. Diante disso, o setor reivindica regras mais claras e responsabilidades objetivas para os marketplaces, assegurando maior controle sobre os produtos comercializados e, sobretudo, a segurança do consumidor.

Conclusão

Diante desse cenário, a Inteligência Artificial se consolida como um fator para a modernização do varejo farmacêutico brasileiro, ampliando a eficiência operacional e reposicionando as farmácias como agentes relevantes no cuidado à saúde. Contudo, a sustentabilidade desse avanço depende de um ambiente regulatório equilibrado, da integração efetiva com o sistema de saúde e do fortalecimento de mecanismos de fiscalização no ambiente digital. A evolução do segmento, portanto, exigirá coordenação entre empresas, entidades representativas, plataformas tecnológicas e órgãos reguladores, garantindo inovação responsável, competitividade estruturada e segurança para o consumidor final.

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