A indústria farmacêutica no Brasil atravessa uma fase de crescimento consistente e, ao mesmo tempo, de amadurecimento estrutural. O país já ocupa a sexta posição entre os maiores mercados do mundo, com movimentação de aproximadamente R$ 152 bilhões em 2024, segundo a Interfarma. A projeção é de expansão média de 6% ao ano até 2028, impulsionada por inovação, envelhecimento da população e maior acesso a medicamentos genéricos e biotecnológicos.
Mas o crescimento não sustenta um setor, ele amplia a responsabilidade e é justamente nesse ponto que a gestão de riscos deixa de ser um protocolo técnico e passa a ocupar o centro da estratégia corporativa.
A indústria é um setor que não para
Um atraso logístico, uma falha de armazenamento ou uma quebra no fornecimento de insumos não geram apenas prejuízo financeiro como também comprometem vidas.
Diante disso, a resiliência operacional tornou-se prioridade nas agendas executivas. A verticalização, um modelo em que a empresa integra produção, armazenagem e distribuição, surge como resposta à sensibilidades da logísticas, às oscilações cambiais e à dependência de insumos globais. Segundo o relatório IQVIA Market Prognosis 2025, mais de 40% das farmacêuticas brasileiras já adotam algum nível desse modelo.
No entanto, integrar essas etapas significa assumir novos níveis de responsabilidade. Detalhes como o controle de temperatura, segurança no transporte, rastreabilidade e conformidade regulatória tornam-se pontos críticos. Sem estrutura robusta de compliance, seguros especializados e planos de continuidade, a integração pode correr riscos em vez de reduzi-los.
Tecnologia na indústria farmacêutica
A rastreabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser exigência. Soluções em IoT, blockchain e analytics permitem acompanhar lotes em tempo real, prever gargalos logísticos e reduzir perdas. Dessa maneira, a tecnologia funciona como mecanismo de prevenção. A intensificação das exigências da Anvisa sobre rastreabilidade e segurança, somada a padrões internacionais mais rigorosos de boas práticas, reforça um cenário em que governança não é apenas conformidade, é sim posicionamento estratégico.
Além disso, paralelamente, práticas ESG vêm redefinindo o que o mercado espera das empresas do setor. A responsabilidade ambiental, o descarte adequado de resíduos e o impacto social dos produtos são critérios cada vez mais relevantes para investidores e reguladores.
Um setor que precisa pensar a longo prazo
O Brasil possui potencial para se consolidar como potência em pesquisa, produção e distribuição farmacêutica. Mas para isso, são fundamentais marcos regulatórios estáveis, incentivos à inovação e fortalecimento das parcerias entre empresas, universidades e sistema financeiro. O diálogo entre lideranças e gestores de risco torna-se, nesse contexto, estratégico. Your Attractive Heading



