Mulheres que marcaram a história da saúde

Neste último domingo (08), foi comemorado o dia internacional da mulher. Ao longo da história, a ciência, a medicina entre outras áreas da saúde, foram impactadas por mulheres que desafiaram limites, abriram caminhos e deixaram contribuições que seguem salvando vidas até hoje. Por isso, relembrar essas trajetórias é também reconhecer o papel fundamental que elas desempenham no avanço da saúde, da pesquisa científica e do cuidado com a sociedade.

De descobertas que revolucionaram a medicina a iniciativas humanitárias que transformaram a saúde pública, conheça algumas mulheres que marcaram e que ainda continuam marcando a história da saúde no Brasil e no mundo.

Marie Curie (1867–1934)

Poucas cientistas tiveram impacto tão profundo na medicina quanto Marie Curie. A física e química polonesa naturalizada francesa foi responsável por pesquisas pioneiras sobre a radioatividade, que abriram caminho para tecnologias fundamentais no diagnóstico e tratamento de doenças, especialmente no combate ao câncer.

Marie Curie foi a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel em áreas científicas distintas, sendo em Física e Química, e também a primeira mulher a conquistar a premiação. Suas descobertas sobre os elementos rádio e polônio ajudaram a estabelecer as bases da radiologia e da radioterapia, hoje essenciais para a medicina moderna.

Durante a Primeira Guerra Mundial, também organizou unidades móveis de radiografia para auxiliar médicos no atendimento a soldados feridos, ampliando o acesso à tecnologia médica em situações de emergência.

Nise da Silveira (1905–1999)

A psiquiatra brasileira Nise da Silveira transformou a forma como pacientes com transtornos mentais eram tratados no país. Em um período em que práticas agressivas eram comuns na psiquiatria, como eletrochoque, ela passou a defender uma abordagem baseada no respeito, na escuta e na expressão artística.

Além disso, seu trabalho demonstrou o potencial terapêutico da arte no tratamento de doenças mentais, levando à criação de espaços de expressão artística para pacientes psiquiátricos. A abordagem humanizada defendida por Nise contribuiu para ampliar o debate sobre saúde mental e influenciou práticas que hoje fazem parte das discussões contemporâneas sobre cuidado e dignidade no tratamento psiquiátrico.

Zilda Arns (1934–2010)

A médica pediatra e sanitarista brasileira Zilda Arns dedicou sua vida à saúde pública e à proteção da infância. Fundadora da Pastoral da Criança, ela criou uma rede de mobilização comunitária voltada ao combate à desnutrição e à mortalidade infantil.

Baseado em ações simples de prevenção, orientação familiar e acompanhamento das comunidades, o trabalho da organização contribuiu para reduzir significativamente as taxas de mortalidade infantil no Brasil e passou a ser replicado em diversos países. Zilda Arns passou a ser reconhecida internacionalmente, tornou-se referência em iniciativas de saúde comunitária e foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz por sua atuação humanitária.

Margaret Chan (1947)

A médica chinesa Margaret Chan ganhou projeção internacional ao liderar a Organização Mundial da Saúde (OMS) entre 2006 e 2017. Durante sua gestão como diretora-geral, a instituição enfrentou importantes desafios globais relacionados a epidemias e emergências sanitárias.

Com uma trajetória marcada pela atuação em saúde pública e gestão sanitária, Chan reforçou a importância da cooperação internacional e do fortalecimento dos sistemas de saúde para enfrentar crises globais e ampliar o acesso a cuidados médicos.

Brenda Lee (1948–1996)

O surgimento da epidemia de HIV/AIDS foi um dos momentos mais desafiadores da história recente da saúde, e a ativista brasileira Brenda Lee tornou-se referência em acolhimento e cuidado para populações vulneráveis.

Conhecida como “anjo da guarda das travestis”, em 1980 ela fundou em São Paulo a Casa de Apoio Brenda Lee, um espaço dedicado a oferecer abrigo e assistência a pessoas vivendo com HIV em uma época marcada por medo, desinformação e forte estigma social. Seu trabalho ajudou a ampliar o debate sobre dignidade, direitos e acesso à saúde para grupos historicamente marginalizados.

Tatiana Sampaio (1966)

A cientista brasileira Tatiana Sampaio ganhou destaque por liderar pesquisas sobre a polilaminina, uma molécula desenvolvida em laboratório com potencial para auxiliar na regeneração de neurônios e no tratamento de lesões medulares.

Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela dedica décadas de pesquisa ao estudo da laminina, proteína essencial para a comunicação entre neurônios. A partir desses estudos surgiu a polilaminina, descoberta que despertou grande expectativa na comunidade científica pela possibilidade de ajudar na recuperação de movimentos em pacientes com lesões na medula espinhal. A trajetória da pesquisadora evidencia o protagonismo feminino na ciência brasileira e o potencial da pesquisa nacional para gerar avanços relevantes na medicina.

Representatividade na saúde

Cada uma dessas mulheres representa um caminho diferente dentro da saúde, sendo na pesquisa científica à gestão internacional, do cuidado comunitário à inovação médica. Em comum, todas demonstram como conhecimento, compromisso e coragem podem transformar realidades e ampliar o acesso à saúde.

Nessa homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a Pharma Express celebra as trajetórias que ajudaram a construir a história da saúde e reconhece a importância de todas as mulheres que, diariamente, fazem esse sistema continuar funcionando, seja na ciência, na gestão, no atendimento ou no cuidado direto com os pacientes.

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